El Chaltén e El Calafate

Dia 459

Esta noite, foi uma das piores que já tivemos, além de termos dormido num dormitório de 5 pessoas, o isolamento era muito mau e tínhamos uma pessoa que ressonava. A viagem para El Calafate demorou cerca de 5h30, como passámos a maior parte do tempo a dormir, até foi bastante rápido. Quando chegámos ao terminal rodoviário de El Calafate, fomos logo comprar o bilhete para El Chaltén, mas para nosso azar, não conseguimos apanhar o autocarro das 13h30 e por isso tivemos de esperar até às 18h00. Como tínhamos muito tempo, aproveitámos para ir comer alguma coisa e fazer tempo. No supermercado, enquanto comíamos uma sandes, conhecemos a Tamara e o Antonin, um casal muito simpático, com quem falámos um bom bocado. Passámos a viagem para El Chaltén a dormir, parecia que estávamos sedados. Quando chegámos, fomos logo para o hostel que tínhamos reservado, Hostel Família de Campo. O seu dono, o Fabian, apesar de não falar inglês é muito simpático e nós com o nosso “portunhol”, lá nos conseguimos safar. Como o nosso dormitório era de 4, partilhámos com mais 2 pessoas, a Lucie e o Stéphane. Depois de falar com o Fabian e seguindo as suas recomendações, começámos logo a planear o dia seguinte, pois o tempo iria estar muito bom. A sua sugestão era ir de táxi (800 pesos) para nos deixar perto da Hostería del Pilar e aí começar a caminhada de volta a El Chaltén. Pelo caminho iríamos ver o glaciar Piedras Blancas e subir até à Lagoa de los Tres para ver o monte Fitz Roy. Para o transporte ser mais barato, teríamos de dividir com alguém e como a Lucie e o Stéphane também queriam ir, fomos juntos. Depois, foi tempo de ir comer alguma coisa e descansar.

Dia 460

El Chaltén é uma pequena cidade que está na base e muito perto do Parque nacional Los Glaciares. Todas as caminhadas começam muito perto da cidade, não sendo necessário transporte. Neste dia, acordámos cedo e verificámos mais uma vez a previsão meteorológica para esse dia. Escolhemos fazer a caminhada até ao lago de los Tres, com as montanhas Fitz Roy de fundo. O Fabien (responsável pelo hostel) levou-nos até à Hosteria El pilar para começar a caminhada. Fomos com as duas pessoas com quem estávamos a partilhar o quarto, o Stephan e a Lucie, ambos da Suiça. Durante o passeio, passámos pelo miradouro com vista para o lago e glaciar Piedras Brancas e depois de uma subida intensa de uma hora, chegámos finalmente ao lago de los Tres, com as belas montanhas Fitz Roy de fundo. Uma paisagem difícil de esquecer. Depois de comermos as sandes que tínhamos trazido e de andar mais um pouco para ver o outro lago, decidimos voltar. Desta vez, fomos por outro caminho, passando por vales e rios e também fizemos uma paragem no lago Capri para molhar os pés e descansar um pouco. Durante o passeio vimos várias aves diferentes e uma raposa bem de perto. Esta caminhada é aproximadamente 20 km e durou cerca de 9 horas, com bastantes pausas. Quando chegámos ao hostel tirámos o resto do dia para descansar. Fomos comprar algumas coisas ao supermercado e fizemos o jantar.

Dia 461

Como já era previsto, o dia ia ser muito ventoso, com cerca de 80 km/h. Decidimos então, dar uma pequena volta pela cidade, descansar e atualizar o site. À noite, fizemos o jantar no hostel.

Dia 462

Neste dia decidimos fazer outra caminhada, desta vez em direção ao pico Pliege Tumbado. Antes de começarmos o passeio passámos pelo centro de informações, pois o tempo na montanha pode ser imprevisível e é bastante perigoso fazer este tipo de caminhadas com vento. Lá fomos nós, as previsões meteorológicas eram positivas. Esta caminhada é cerca de 23 km e até chegar ao primeiro miradouro é sempre a subir. Mas não é tudo, os últimos 800 metros para chegar ao último miradouro, Loma del pliege tumbado são muito íngremes. Mas quando chegamos lá acima somos recompensados com uma vista de 360º sobre as montanhas, vales e lagos. Conseguimos ver o Cerro torre, a laguna Torre, as montanhas Fitz Roy, o segundo maior lago da América do Sul, o lago Argentino e muito mais. Depois de comermos algo e apreciarmos a vista, descemos tudo pelo mesmo caminho. Chegámos ao hostel por volta das 16h00, fomos comprar algo para o lanche e o jantar e descansámos.

Dia 463

Nosso último dia completo em El Chaltén e decidimos fazer a caminhada mais acessível de todas. São cerca de 20 km ida e volta em terreno quase plano e o objetivo é chegar à Laguna Torre. Iniciámos a caminhada com uma vista panorâmica sobre a vila de El Chaltén. Pelo caminho, além de apreciarmos a paisagem em nosso redor, também tentámos observar alguns animais. Já no lago, conseguimos observar o glaciar Grande ao fundo e alguns icebergues. Ainda subimos um pequeno monte e avançámos mais um pouco para ver o glaciar mais de perto. Só não conseguimos foi ver a montanha Cerro Torre, que está bastantes vezes encoberta com nuvens.  Depois de comermos o nosso lanche e apreciarmos a vista para o lago, voltámos para El Chaltén. Pelo caminho, ficámos muito contentes porque conseguimos ver vários pica-paus a picarem as árvores. Antes de chegarmos ao alojamento, fomos comprar umas belas “facturas” para o lanche. Para o jantar, o proprietário do alojamento (Fabian), fez-nos uma pizza que estava uma delícia. A massa foi ele que fez, já para não falar que todos os ingredientes eram de uma excelente qualidade e bem frescos. Durante o jantar, o Fabian apresentou-nos os seus filhos, que são excelentes jogadores de hóquei no pavilhão (sem patins). Depois do jantar e como íamos acordar cedo no dia a seguir, fomos descansar.

Dia 464

Depois de uns belos 4 dias passados em El Chaltén, foi tempo de ir até El Calafate ver o majestoso glaciar Perito Moreno. O autocarro começava a viagem às 07h30, por isso tivemos de acordar bem cedo. Chegámos a El Calafate por volta das 11h00 e fomos logo comprar bilhetes para o autocarro que partia às 13h30, em direção ao parque nacional Los Glaciares. Como ainda tínhamos tempo, decidimos ir procurar um sítio para passar a noite e que ficasse perto do terminal rodoviário. Encontrámos um hostel que ficava próximo e que tem umas excelentes condições, o Folk. Sem dúvida alguma, recomendamos este lugar. Além de terem dormitórios de 4 a 8 pessoas, também têm quartos duplos e triplos, com e sem casa de banho. Basicamente têm quartos para todos os gostos. Antes de irmos apanhar o autocarro, aproveitámos ainda para comer alguma coisa. Quando estávamos no terminal rodoviário, já dentro do autocarro para partirmos para o parque, olhámos para o lado e vemos a Tamara e o Antonin, com quem tínhamos estado a falar no sábado passado antes de irmos para El Chaltén e não tínhamos trocado contacto. Pois bem, desta vez tivemos a certeza que isso não se voltava a repetir. Apesar de pouco tempo, foi um bom reencontro. A viagem até ao parque tem a duração de cerca de 1h e custou 700 pesos, para cada um. Pelo caminho, ainda conseguimos ver a linda vista sobre o lago Argentino. Quando saímos do minibus, decidimos fazer uma caminhada até perto do glaciar Perito Moreno. Apesar de todos os glaciares que vimos na Antártida, este glaciar é esplêndido e a sua cor indescritível. Além de o podermos admirar de muito perto, conseguimos ver alguns pedaços de gelo a cair, que faziam imenso barulho. Passámos mais de 3 horas a caminhar no passadiço e a observar esta beleza natural. Depois, foi tempo de voltar para o hostel e ir jantar. Enquanto preparávamos o jantar, encontrámos um casal português e passámos o resto do serão a falar. Como a conversa era boa, já fomos para a cama depois das 23h00. Felizmente, no dia seguinte, não tínhamos de acordar muito cedo, pois o nosso voo era só às 12h45.

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