Lençóis Maranhenses

Dia 533

Depois de acordarmos cheios de energia, fomos tomar o pequeno almoço e acabar de preparar tudo para a caminhada que tínhamos pela frente. Por volta das 8h15, já tínhamos uma jardineira (jeep 4×4) à nossa espera para nos levar até ao porto de Barreirinhas, onde íamos apanhar o barco. Este barco ia transportar-nos pelo Rio Preguiças até Atins, uma pequena localidade no início do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Até Atins podemos admirar a vegetação densa que acompanha o rio. Essa vegetação faz parte da floresta amazónica e floresta atlântica. Podemos ver muitos tipos de palmeiras, entre elas, a que produz um fruto roxo que se chama açaí e também a mais alta de todas, a burití. Também vimos muito mangue, que pode ser visto em zonas onde tem água doce e salgada. Passámos pela fábrica de Cera da Carnaúba (palmeira), em que a folha é usada para construção das casas. Mais à frente parámos em Vassouras, onde saímos para ver uma parte dos Pequenos Lençóis e as suas lagoas. Aqui, também vimos alguns macacos prego bem de perto. Para não variar, muitos guias e turistas não respeitam a natureza e as indicações que se encontram afixadas por todo o lado e alimentam os macacos e fazem-lhe festas, como se de um animal de estimação se tratasse. Mais à frente, ainda parámos no povoado Mandacaru para ver o farol Preguiças. Na hora de almoço, parámos em Caburé. Mas antes, ainda fomos dar um mergulho ao mar e outro ao rio. Para almoçar, tivemos direito a um belo robalo grelhado e um peixe serra frito. Estava tudo muito saboroso. Depois de almoço, por volta das 13h30 apanhámos o barco com destino a Atins. Quando saímos do barco, foi só preciso andar um pouco e a jardineira já estava a chegar. Durante a próxima hora íamos andar de 4×4 até chegarmos à foz do rio negro, onde íamos começar a nossa caminhada em direção ao Oásis Baixa Grande. Durante a viagem de 4×4 passámos pelo pequeno povoado do canto dos lençóis e depois, seguimos sempre ao longo da costa. Podemos ver várias cabanas de madeira, utilizadas pelas pessoas que vivem no Oásis e que lá ficam por vários dias a pescar. Também vimos várias aves de rapina caracara. Ficámos bastante surpreendidos com a quantidade de lixo que se encontra na costa, principalmente plástico e destroços derivados da pesca. Finalmente, parámos no meio do nada e começámos a caminhada. Depois de atravessamos a primeira duna, já começávamos a perceber a imensidão dos Lençóis Maranhenses. Normalmente, esta não é uma boa altura para visitar o parque, pois as lagoas têm pouca água ou estão secas. Este ano, como começou a chover bem cedo, todas as lagoas já tinham bastante água. Esta é daquelas paisagens que nunca tínhamos visto e que era um dos destinos de sonho que queríamos muito conhecer. Depois de quase uma hora e meia a andar, foi tempo de tomar o nosso primeiro banho, numa das lagoas azuis e cristalinas dos Lençóis Maranhenses. Após algum tempo a nadar e contemplar esta paisagem, seguimos caminho. Chegámos ao Oásis Baixa Grande já perto do pôr do sol, mas como o céu estava nublado não conseguimos ver. Mesmo assim, ficámos em cima de uma duna a apreciar a vista sobre o verde do Oásis no meio deste deserto. Deu para ver os porcos e as cabras a voltarem às suas casas. Antes de ficar completamente de noite, fomos para a casa onde íamos pernoitar, a casa do senhor Moacir e senhora Dete. Antes de jantar, o João e o Patrício jogaram um pouco de snooker e beberem tiquira (bebida alcoólica muito forte, feita apartir da mandioca) enquanto a Carina, a Joana e o Yoann descansavam na rede. Já com a comida pronta, fomos jantar um belo frango caipira, acompanhado com arroz, feijão e esparguete. Antes de irmos dormir e como estava uma noite de lua cheia, fomos caminhar um pouco até às dunas. Parecia que estava de dia, pois com o luar conseguíamos ver tudo muito bem. Estava na hora de irmos dormir, porque no dia seguinte tínhamos de nos levantar cedo para começar mais uma caminhada. A nossa cama ia ser uma rede, que é bem típico aqui no Brasil, mas que para nós não é assim tão comum. Neste dia andámos cerca de 7 km.

Dia 534

Acordámos por volta das 04h30, o que nos custou um pouco, mas estávamos bem contentes porque íamos continuar a caminhar pelas dunas e ver lindíssimas lagoas. Além disso, conseguíamos ver de um lado o sol a nascer no meio das nuvens e do outro a lua. Depois de tomarmos o pequeno almoço e de prepararmos tudo, iniciámos o nosso passeio com destino ao segundo Oásis, a Queimada dos Britos. O objetivo era chegar por volta das 11h00, um pouco antes da hora de almoço. Pelo caminho, podemos encantar-nos com toda a beleza das dunas e das lagoas. Em certos sítios, as lagoas até tinham bastantes árvores secas, devido ao avanço das dunas, pois antigamente toda esta zona era floresta. Como o Patrício nos explicou, todos os anos as dunas avançam bastante e as pessoas que vivem no Oásis já tiveram de mudar de casa várias vezes. Depois de pararmos para dar uns mergulhos nestas águas transparentes, continuámos a caminhada até chegarmos à casa onde íamos ficar. Os donos da casa são o senhor Bargado e a senhora Maria Brito. Quando chegámos, o Jaques e o Ricardo, que estavam a fazer um passeio de 3 dias com outro guia, já lá estavam. O nosso almoço foi frango caipira, que mais uma vez estava uma delícia. Antes do almoço e como estávamos cheios de calor ainda fomos dar um mergulho ao lago mesmo à frente da casa. Após o almoço, alguns aproveitaram para descansar e outros para conversar. Mais tarde, por volta das 15h00, fomos caminhar até uma lagoa do lado de fora do oásis onde demos mais uns belos mergulhos. A água estava bem quentinha, o problema era quando saiamos, porque o sol estava encoberto e havia um pouco de vento. Mais uma vez, não conseguimos ver o pôr do sol. Voltámos já quase de noite para casa e aproveitámos para relaxar um pouco antes de jantar. O João até foi dar mais um mergulho ao lago. Para o jantar, tínhamos à nossa espera um belo peixe frito. Não podíamos ficar acordados até tarde, pois no dia seguinte íamos acordar às 2h30, para começar o nosso último dia de caminha até Betânia. Neste dia andámos cerca de 13 km.

Dia 535

Quando acordámos e olhamos para o céu, parecia que ia chover a qualquer momento e não estávamos muito errados. Depois de tomarmos o pequeno almoço e de arrumarmos tudo, o Patrício disse para esperarmos um pouco, para ver se ia começar mesmo a chover ou não. Pois bem, ele não estava enganado e pouco tempo depois começou a chover e a trovejar muito. Visto as condições meteorológicas, fomos dormir outra vez e de manhã logo veríamos qual seria o plano. Acordámos por volta das 9h00 e fomos tomar outro pequeno almoço. Da parte da manhã, socializámos com a família local, vimos como se pesca com uma garrafa de plástico e fomos de jangada com o filho mais novo do dono da casa até a uma ilha, onde eles guardam as galinhas. O objetivo desse dia era apanhar o galo para o almoço e não pensem que é assim tão fácil 😁. Os peixes apanhados esta manhã, foram fritos e servidos como aperitivo. Foi uma manhã bem diferente e interessante, no meio deste paraíso. Aqui não existem estradas nem engarrafamentos e o único barulho é o da natureza. Estas pessoas podem não ter imenso dinheiro, mas são ricas em muitas outras coisas. Depois do almoço, o Patrício decidiu que era a altura certa para continuar a caminhada até ao próximo destino. Apesar de o céu estar nublado, já não estava a chover. Pouco passava das 13h30 e já estávamos a sair da casa do senhor Bargado e da senhora Maria Brito. Tínhamos pela frente cerca de 20 km, o que daria aproximadamente 6 horas a caminhar até Betânia. Não sabemos o que dizer mais sobre estas dunas e lagoas transparentes, apenas que continuávamos maravilhados com esta paisagem e imensidão. Parámos duas vezes para nos banharmos, mas a última foi sem dúvida a melhor, pois a lagoa era de um azul turquesa difícil de acreditar. Ficámos ali um bom bocado a aproveitar e depois continuámos para os últimos quilómetros, pois o clima estava a mudar novamente. Quando chegámos ao nosso destino, tivemos de esperar por uma pequena embarcação que nos ajudaria a atravessar o rio Grande até ao restaurante Cantinho da Felicidade, onde íamos jantar e pernoitar. O nosso passeio nos Lençóis acabou por se estender por mais um dia, só íamos chegar a Barreirinhas no dia seguinte por volta da hora de almoço. Neste último dia andámos cerca de 20 km.

Dia 536

Mais uma noite dormida numa rede. O problema não é tanto dormir em rede, que isso até já estamos habituados, o problema é acordar todos os dias às 3 da manhã com os galos a cantar. Às 07h30, o Patrício acordou-nos para irmos tomar o pequeno almoço. Ainda não era 08h30, já o motorista que nos vinha buscar de 4×4, estava a apitar do outro lado das dunas. Apanhámos outra vez boleia da pequena embarcação e de lá iniciámos a nossa aventura nas dunas, mas desta vez de 4×4. Foram cerca de 30 minutos a andar nas dunas, o que deu para ter uma visão um pouco diferente dos Lençóis. Quando chegámos a Santo Amaro, foi quando o nosso passeio pelos Lençóis chegou ao fim. Ainda tínhamos cerca de 1h30 de caminho até Barreirinhas. Nesta parte da viagem, em piso asfaltado, o João e o Patrício foram na parte de trás da pick-up e a Carina, a Joana e o Yoann foram à frente e levaram as malas. Esta viagem também foi sem dúvida uma grande aventura, pois começou a chover imenso e como a parte de trás era aberta, apenas tendo uma cobertura no teto, o João e o Patrício apanharam uma bela molha. A sorte foi que tínhamos umas capas impermeáveis e nos protegeram um pouco. Passámos o resto da tarde a relaxar e a aproveitar para organizar as fotos que tirámos durante estes dias. No dia seguinte íamos partir para São Luís e depois de analisarmos as opções, decidimos ir numa van às 14h00 e que nos custou 60 reais, cada um. A vantagem deste transporte é que iriamos ficar mesmo à porta do nosso alojamento. Para jantar, comemos pizza caseira no Paraíso do Caju.

Dia 537

Depois de alguns dias sem dormir numa cama, temos de confessar que nos soube muito bem. Durante a parte da manhã, aproveitámos para estar com os nossos novos amigos e até aprendemos um novo jogo de cartas 😁. O Patrício também nos foi mostrar os animais que ele tem. Depois do almoço, foi hora de nos despedirmos destas pessoas tão simpáticas que tínhamos conhecido e de irmos para São Luís. Chegámos ao hotel em São Luís já era quase 19h00. Ficámos a saber que o nosso quarto tinha alguns problemas e que teríamos de passar a noite em outro hotel parceiro deles. No dia seguinte poderíamos voltar ao quarto que inicialmente nos estava destinado. A verdade é que quando chegámos a São Luís, já estava de noite e a primeira impressão não foi a melhor. Vimos muitos edifícios degradados, muita gente a dormir na rua e pouco movimento. Decidimos então comer qualquer coisa rápida e descansar, pois só teríamos um dia para visitar o centro histórico.

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