San Cristóbal de las Casas

Dia 705

Aproveitámos o facto do pequeno almoço ser servido até às 10h00 para podermos dormir um pouco mais. Mas logo depois, fomos passear um pouco até ao centro da cidade. Esta cidade tem muitas semelhanças com Antígua, na Guatemala. Isso deve-se ao facto de San Cristóbal já ter pertencido a Guatemala. Caminhámos até à praça principal, onde podemos ver a Catedral que se encontra fechada devido aos estragos causados pelo terramoto de 2017. Seguimos em direção à “Iglesia de San Cristóbal”, o padroeiro da cidade e de onde se pode ter outra vista sobre a cidade. Isso foi o que nos disseram no centro de informações, mas a vista não é a melhor. Fomos almoçar perto do monumento “Arco del Carmen”, que antiguamente servia como porta de entrada para a cidade, ou melhor, para separar os espanhóis (nobreza) dos africanos e indígenas (povo). Como o tempo estava a mudar, decidimos voltar para o alojamento e trabalhar um pouco para o nosso website. Para jantar, fomos comprar verduras e jantámos algo mais saudável. A comida mexicana é pesada e comer burritos 🌯, tacos e tortas todos os dias cansa, até para o João 😁.

Dia 706

No dia anterior tínhamos contactado uma empresa que faz tours até às vilas “mágicas” de “San Juan de Chamula” e “Zinacantán”. Esta é uma empresa familiar e tem o nome de “Alex y Raul tours”. Depois de tomarmos o pequeno almoço, seguimos para o ponto de encontro, a Cruz de madeira em frente à Catedral. Por volta das 09h30, já estávamos a partir em direção ao nosso primeiro destino, a vila “San Juan de Chamula”. Quando chegámos, o Raul distribuiu as pessoas consoante o idioma (inglês ou espanhol) e como nós escolhemos o grupo de espanhol, éramos só 6 pessoas. Pode-se dizer que estávamos a ter um tour quase privado 😁. Durante o passeio pela vila aprendemos muitas coisas:
– O número 3 é o número perfeito para este povo indígena e Mayas, representa o cosmos, mundo e infra mundo;
– Vivem cerca de 100000 pessoas nesta vila, distribuídos por 350 km2;
– Falam o dialeto “tzotzile”;
– São católicos extremistas. Mas apesar disto, também seguem as suas tradições e a cultura Maya;
– Cada povo indígena tem o seu traje típico, neste caso as mulheres vestem uma saia preta feita com lã de borrego. Quanto maior for o tamanho do pelo, mais cara é a saia;
– Este povo pratica a poligamia, em que o homem pode ter até 4 mulheres;
– Existe uma “sauna” em cada casa. As mulheres depois de darem à luz vão para dentro da sauna durante duas horas com uma curandeira.

Durante o passeio, entrámos numa casa onde está um dos Santos padroeiros da vila. Existe um homem (mayordome) que é responsável por esta casa e pelo Santo. Mudam de responsável todos os anos e ele tem que lá viver o ano inteiro. Durante a explicação provámos a bebida tradicional “Posh”, com cerca de 40% de álcool.
Na igreja, vimos algo pouco convencional:
– Não existem cadeiras;
– As pessoas ajoelham-se e colocam velas no chão, cantam, “rezam”, praticam uma respiração profunda…
– Os Santos têm um espelho ao peito, que reflete a imagem da pessoa e a incentiva a ser verdadeira e a perdoar-se a si própria;
– Quando as pessoas pensam que não estão a ser “ouvidas”, pedem ajuda a curandeiros e passam por um ritual. Utilizam um ovo, que significa a origem e uma nova vida. A bebida alcoólica Posh para relaxar e desinibir a pessoa, assim o curandeiro pode diagnosticar mais facilmente o “mal”. Uma galinha se for mulher, um galo se for homem e um pinto se for uma criança. “Chicha” (bebida tradicional à base de milho) ou Coca-cola para se sentirem confortáveis e para arrotarem/desfazerem-se do “mal”. E utilizam velas de diferentes cores como agradecimento ou para pedirem saúde, dinheiro… 
Também demos uma volta pela feira, pois era domingo.

Quando terminámos o passeio por aqui, fomos ainda visitar a vila de “Zinacantan”. Pode-se dizer que esta vila é bastante diferente da que vimos anteriormente. Apesar de terem os seus costumes e tradições, já houve muitas coisas que mudaram:
– Aqui não existe poligamia;
– Os professores apenas ensinam espanhol.
A sua maior fonte de rendimento são as flores e os arranjos florais, onde são os homens responsáveis por este trabalho. Também passámos por uma casa de pessoas locais, onde vimos vários trajes tradicionais e provámos tortilhas com açúcar mascavado.
Depois da visita partimos de volta a San Cristóbal e só chegámos por volta das 14h30. Gostámos muito do tour e especialmente do guia que tivemos, pois levou-nos a sítios onde não havia turistas e explicou-nos tudo muito bem. Pelo tour pagámos 250 pesos mexicanos por pessoa. A seguir ao almoço, ficámos um bocado por “casa” e mais tarde fomos até à “Iglesia de Guadalupe”. Esta igreja é conhecida pela vista sobre cidade, mas mais uma vez ficámos desapontados.

Dia 707

Depois de acordarmos e tomarmos o pequeno almoço, fomos mais uma vez até à Cruz de madeira em frente à Catedral. Desta vez, seria o ponto de encontro para o “Free Walking Tour”. Também ficámos a conhecer algumas curiosidades sobre esta cidade, entre elas o porquê do seu nome. “San Cristóbal” vem do Santo com o mesmo nome e “de las Casas” vem de uma homenagem ao Frei de las Casas, que teve um papel muito importante na proteção dos indígenas. De forma a combater a marginalização dos indígenas e a corrupção da política local, foi criado o movimento Zapatista, que ainda hoje existe.
Durante este tour passámos por sítios pelos quais já tínhamos passado antes, mas foi interessante na mesma. A guia levou-nos a beber café orgânico, comer chocolate e ainda a provar “Posh ou Pox”, uma bebida típica desta zona feita a partir de milho. Podemos dizer que foi um tour muito completo e interessante, que no total durou cerca de 4 horas. Durante o tour conhecemos 3 espanhóis e acabámos por almoçar com eles no restaurante “El Caldero”. Este restaurante é famoso pelos caldos, ou seja, as sopas. Nós pedimos a sopa “Caldero” e estava deliciosa. Da parte da tarde, demos mais uma volta pelo centro e aproveitámos também para trabalhar no website.

Dia 708

Este foi o nosso último dia em San Cristóbal de las Casas. Aproveitámos para ver a Igreja de Santo Domingo e também para comprar algumas recordações no mercado ao lado. Na parte da tarde atualizámos mais um pouco o website. Nesta noite iríamos fazer mais uma longa viagem de autocarro até Oaxaca. Antes de nos “despedirmos” desta cidade que gostámos muito, fomos jantar comida típica ao restaurante “Taniperla”.

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