Dia 587
Depois de tomarmos o pequeno almoço e arrumarmos tudo, fomos ter com o pai (Ricardo Mendoza) da Sanny à Praça de Espanha. Daí, seguimos em direção à ilha Cumaná. Quando chegámos à povoação de “Puerto Perez”, parámos para ver a feira Anual Biocultural, que estava a decorrer em volta da praça “Juan Jose Perez”. Foi bastante interessante, pois além de sermos os únicos turistas, o Ricardo explicou-nos um pouco sobre a cultura e alimentos produzidos nesta região. Ainda conhecemos a sua cunhada e a sua mãe. Também vimos muito artesanato em cerâmica e em “totora” (planta aquática). Depois de darmos a volta pela feira, continuámos a nossa viagem até chegarmos à sua casa, na ilha Cumaná. Quando chegámos, conhecemos logo a sua esposa, a Rosa, uma senhora muito simpática. Como já era hora de almoço, comemos uma deliciosa sopa de quinoa e bebemos um mate. Quando já tínhamos acabado de almoçar, chegou a Sanny com o Rainer e a Andrea. Depois de alguma conversa, foi tempo de nos despedirmos, pois o Ricardo e a Rosa iam levá-los até Tiquina. Quanto a nós, fomos caminhar com a Sanny até ao cimo do “Cerro Pukaru”, uma montanha com 4500 metros de altitude. Pelo caminho, parámos várias vezes para ouvir a explicação sobre algumas curiosidades desta povoação e também da ilha. A ilha Cumaná tem 12 pessoas responsáveis, ou como eles chamam, as autoridades. Aqui, não existe polícia. Cada autoridade tem o seu chicote, que carrega consigo cada vez que sai de casa. As reuniões entre as autoridades são feitas na pequena montanha mais perto da cidade. Caso haja alguma coisa a comunicar às pessoas da vila, eles gritam às 19h00 para que todos possam ouvir. Porque a esta hora já todas as pessoas estão em casa. Aprendemos como prever a época das chuvas e consequentemente, se o cultivo vai ser produtivo ou não. Antigamente, nesta região viviam as tribos “Pukara” e “Tiwanaku”. Aqui, existiu uma pessoa/Deus que foi muito importante, o “Tunupa”. Foi ele que trouxe conhecimentos de engenharia, agricultura, música e muito mais. Quando chegámos ao cimo da montanha, ficámos muito contentes com a paisagem que podemos vislumbrar. Conseguimos ver parte do lago menor Titicaca com a Cordilheira Real (Andes Bolivianos), como plano de fundo. Depois de admirarmos esta vista, começámos a descer até chegarmos a “casa”. Antes de jantar, o Ricardo e a Sanny mostraram-nos uma apresentação feita em “Power Point” e explicaram-nos muita coisa sobre a história e cultura desta ilha. Enquanto isso, a Rosa preparava o jantar. Tivemos direito a mais uma deliciosa sopa com carne e um mate. Depois do jantar e para descontrair um pouco, eles cantaram algumas músicas típicas bolivianas e nós mostrámos um pouco da música portuguesa.
Dia 588
Depois de tomarmos o pequeno almoço, iniciámos o nosso passeio pela ilha Cumaná. A nossa primeira paragem foi num terreno que pertence a esta família e que não fica muito longe. Eles deram-nos umas flores para nós plantarmos e assim deixarmos a nossa marca ? e uma recordação. Ficámos muito contentes com este gesto. Daqui, continuámos caminho até chegarmos ao sítio arqueológico de Qiwaya, que contem 336 estruturas, das quais 20 são torres funerárias (chullpares) que pertenciam ao período dos “Señorios Aymaras”. Mais à frente, podemos caminhar perto de algumas destas torres funerárias, que foram reconstruídas recentemente. Estas torres têm até 3 pisos, dependendo da importância da pessoa. No primeiro piso colocavam o corpo e nos restantes, os seus pertences. As torres estavam sempre aos pares, correspondendo ao casal. Mais à frente, parámos para almoçar perto de onde tínhamos de apanhar o barco para a ilha “Pariti”. Fizemos um picnic com uma vista muito bonita e comemos um prato típico, “paceña”, que leva batata, queijo fresco de vaca, favas e milho. Um prato simples, mas que estava uma delícia. Infelizmente não podemos ir até à ilha “Pariti”, porque a pessoa que nos ia levar de barco não apareceu. Bem depressa arranjamos uma solução, optámos por ir visitar um museu em “Pata Patani”. Neste museu, podemos ver a múmia “Tani”, a mais antiga da Bolívia e a segunda mais antiga da América do Sul. Gostámos bastante, primeiro porque não estávamos à espera de visitar este museu e segundo, porque numa pequena povoação como esta encontra-se uma das maiores riquezas a nível arqueológico da Bolívia. Depois da visita, voltámos a casa da família, lanchámos e arrumámos as coisas para irmos até Capocabana. Eles levaram-nos de carro até Tiquina e de lá apanhámos um barco para cruzar o lago, que custou 2 bolivianos cada um. Já do outro lado, entrámos num coletivo que nos levou até Copacabana e pelo qual pagámos 10 Bolivianos cada um. Quando chegámos, fomos procurar um alojamento e depois jantar. Adorámos ter passado os últimos dias com esta família, sentimo-nos como em casa. Eles são pessoas muito simpáticas, que vamos levar nos nossos corações.
















