Dia 151
No total tivemos de percorrer cerca de 60 km em três dias.
Depois de acordarmos e de tomarmos o pequeno almoço no nosso hotel, seguimos caminho para a loja do Jungle Trekking, a quem decidimos comprar este tour. Depois de conhecermos o nosso guia (Salin) e os restantes membros do nosso grupo (Erik, Derieke, Tom, Erna, Clémence e Marine), iniciámos a caminhada por volta das 09h00. A primeira paragem, foi a estação de comboio de Kalaw, que nós já tínhamos ido visitar no dia anterior. Daí começámos a subir o monte e a avistar as magníficas paisagens em redor. Durante a manhã parámos cerca de duas vezes para podermos descansar um pouco, repor energias e falar um pouco também. Quando chegámos ao restaurante, já todos estávamos cheios de fome, pois já tínhamos andado cerca de 10 km. Nós íamos basicamente a meio do nosso percurso que estava estipulado para o primeiro dia. Da parte da tarde seguimos caminho no cimo dos montes, onde avistámos muitos campos agrícolas, com muitas plantações de chili. Chegámos à aldeia Kyauk Su por volta das 17 horas, onde iríamos ficar hospedados na casa de uma família. A tribo desta aldeia tem como nome Pa-O. Depois de vermos a casa onde íamos ficar e de conhecermos os seus proprietários, deixámos as nossas mochilas e descansámos um pouco. Após esta curta pausa, decidimos ir dar uma volta para conhecer um pouco da aldeia e ver a vida dos locais. Como estava a ficar de noite, vimos muitas mulheres a regressarem dos campos, muitas delas, acompanhadas pelos filhos que ainda não têm idade para ir para a escola. Num campo, vimos um grupo de jovens a jogarem à bola. Como o pôr do sol já estava para breve e nós não podemos perder um, decidimos arranjar um sítio para vermos o pôr do sol sobre a montanha. Para o jantar, tínhamos à nossa espera uma espécie de banquete ?. A seguir ao jantar, fomos todos para perto da fogueira (pois estava frio) beber chá e falar um pouco com o casal que nos acolheu, claro que o Salin teve de nos ajudar com as traduções.
Dia 152
Neste tipo de casas com pouco isolamento, não conseguimos dormir até muito tarde pois ouve-se todo o barulho do exterior. Depois de acordarmos, já tínhamos praticamente à nossa espera mais um banquete para o pequeno almoço. Já de barriga cheia e tudo arrumado, seguimos viagem serra abaixo para mais um dia de caminhada. Depois de percorrermos cerca de 200 metros, o Salin manda parar o condutor de uma carrinha de caixa aberta para saber se nos podia dar boleia por alguns metros. E assim foi, seguimos caminho na parte de trás da carrinha por entre os caminhos de terra durante uns 10 minutos. No final foi tempo de tirar a foto da praxe e depois seguirmos caminho. Mais à frente atravessámos a linha de comboio que passa também em Kalaw. A nossa primeira paragem foi na vila principal desta zona para bebermos um café e descansarmos as pernas. Tivemos sorte, pois era dia de mercado na zona. Até deu para comprar dois baralhos de cartas para podermos jogar todos. Como nenhum de nós ainda tinha experimentado, o Salin decidiu-nos oferecer um tabaco que se mastiga. Basicamente é uma folha com um líquido e que pode ser mais doce ou não. Nós, optámos pelo doce (e ainda bem). Sinceramente é algo muito estranho, pois na realidade aquilo não se come, apenas se mete na boca e ficamos a mastigar. O problema é que aquilo faz salivar muito e temos de estar sempre a cuspir. Dependentemente do tempo que deixamos ficar esta mistura na boca, no final ficamos com a boca vermelha. Conclusão, foi engraçado experimentar, mas ninguém gostou, por isso ninguém vai ficar viciado neste tabaco ?
Depois desta experiência, continuámos caminho a falar sobre ela e de como era possível eles gostarem daquilo. Para sermos sinceros, a única razão que nos ocorre, é ser mais barato que tabaco. Cruzámos a estrada principal com muitos automobilistas a saudarem-nos, e continuámos caminho por trilhos no meio dos campos agrícolas, até finalmente chegarmos ao restaurante onde íamos almoçar. Veio mesmo na altura certa, pois já estávamos todos com fome e vontade de descansar um bocado. Da parte da tarde tínhamos uma merecida recompensa pela frente, um banho no rio ? Quando lá chegámos, encontrámos outro grupo de turistas, também eles a fazerem trekking com um guia e também grupos de locais a fazerem cestos com bamboo. A água estava bem gelada, mas ninguém desperdiçou esta oportunidade de tomar um belo banho (com shampoo e gel de banho) e refrescar um pouco. Completamente fresquinhos e mais animados, seguimos então para a etapa final deste dia com destino ao mosteiro. Esta última parte fizemos a um bom ritmo, pois todos queríamos chegar a tempo para podermos ver o pôr do sol por cimo de uma pequena montanha ao pé do mosteiro. Pois bem, conseguimos, chegámos mesmo a tempo, ainda faltavam para aí uns 10 minutos até o sol se pôr. Sentámo-nos todos a comtemplar o pôr do sol, como se de um troféu se tratasse, por termos vencido a nossa batalha ?. Mal o sol se pôs, começou logo a ficar mais frio, fomos então para o mosteiro. Quando chegámos e como já estava de noite, os monges já tinham jantado e estavam todos a ver televisão. Nós pousamos as nossas mochilas, e antes de irmos jantar, fomo-nos estender um pouco nas camas para descansar um pouco. Já com a mesa cheia de comida, fomos todos “devorar” a comida, pois estávamos cheios de fome. Como já tínhamos cartas para todos, quando terminámos de jantar, fomos jogar todos um pouco até que todas as velas se apagassem. Pelo meio ainda falámos mais um pouco com o Salin acerca da vida no mosteiro.
Dia 153
Último dia de trekking.
Acordámos ainda antes do suposto, devido ao barulho que os pequenos monges fizeram enquanto estavam a tomar o pequeno almoço. Dormir neste sítio, foi uma bela experiência, apesar de não ser o mais confortável, mas como estávamos tão cansados foi remédio santo para uma bela noite de sono. O Erik é que quando acordou a meio da noite, tinha todos os gatos deitados na manta dele. Depois de já termos tomado também o nosso pequeno almoço e arrumado tudo, fomos jogar um pouco de “futebol” com os monges mais jovens. Foi mesmo muito giro, vê-los todos contentes a jogarem connosco. Como o que é bom acaba rápido, tivemos de deixá-los para trás e seguir para o nosso último dia de caminhada.
O Salin propôs-nos um dia um pouco diferente para não ser apenas caminhar até ao lago inle para depois apanharmos o barco. Pois bem, nós aceitámos e ele levou-nos por caminhos completamente diferentes do que já tínhamos visto. Andámos na encosta da montanha com vista privilegiada para o rio. Pelo meio ainda vimos grutas, muitos campos agrícolas e algumas pequenas cascatas. O melhor estava reservado para o fim, quando chegámos ao sítio que ele nos queria mostrar, a grande cascata. Sem dúvida que valeu a pena, a cascata em si é mesmo muito gira e aqui não se vêm nenhuns turistas, apenas nós. Depois de nos banharmos nestas águas bem frias, continuámos caminho. O resto do caminho foi feito em zonas com muitos campos de cultivo, com muito verde em redor, mas ao mesmo tempo sem muitas sombras. Como estávamos sempre a andar ao lado do rio, ainda deu para nos banharmos uma última vez. No final da caminhada como ainda estávamos longe do lago, apanhámos boleia numa carrinha de caixa aberta até ao restaurante , o que foi mesmo bom, pois estávamos já cansados dos últimos 3 dias. Depois do almoço, já tínhamos 2 barcos à nossa espera para nos transportarem durante quase uma hora ao longo do lago, até Nyaung Shwe. No final do passeio estávamos todos muito contentes pelos últimos três dias de caminhada e ainda mais contentes com o nosso guia, o Salin ? com quem adorámos ter feito a caminhada. Quando chegámos eu e a Carina, fomos buscar as nossas mochilas ao ponto de recolha e depois como não tínhamos nenhuma reserva de hotel, decidimos ir até ao hotel onde estava o Tom, a Erna, o Erik e a Derieke. Combinámos todos ir jantar juntos, mas até lá fomos todos descansar as pernas.
Dica: Fizemos esta caminhada durante o “inverno”, ou seja, durante o dia está bastante calor, mas depois do pôr do sol, fica bastante frio, por isso uma roupa quente é sempre bem-vinda.



















