Dia 163
Chegámos à estação de comboios de Varanasi por volta das 10h00 da manhã como estava previsto. Depois foi tempo de sair da estação e tentar arranjar um tuk tuk para nos levar o mais próximo possível do nosso alojamento. Pagámos 200 INR que apesar de ser caro, se fizermos a conversão, fica a cerca de 2,5 €. A aventura toda, foi quando saímos do tuk tuk e começámos a caminhar no meio de ruas muito estreitas que mais pareciam labirintos, o que nos fez logo lembrar a medina de Fez, em Marrocos. Lá com a ajuda de um outro turista e de locais chegámos finalmente ao alojamento. Supostamente tínhamos uma reversa online de 2 quartos, mas eles só tinham disponível 1 quarto com 4 camas, como éramos três e o quarto não nos pareceu assim tão mau para o preço, decidimos aceitar. Já com o check-in feito, foi tempo de ir almoçar. Como a noite não tinha sido muito boa e o João estava constipado, devido às mudanças de temperatura, decidimos ficar a descansar um bocado no quarto e o Thierry foi dar uma volta. No final do dia, nós os dois decidimos ir dar um pequeno passeio até à ghat mais próxima para ver um pouco do movimento. Quando voltámos para a guesthouse, o Thierry também estava a chegar e não com muito boas notícias, ele tinha sido mordido por um cão de rua. A Carina teve de desinfetar a ferida, mas mesmo assim e como não se deve arriscar sem saber se o cão tem raiva ou não, decidimos ir às urgências no dia a seguir de manhã. Mais tarde, para animar um pouco, fomos comer um Lassi cheio de frutas e um belo Thali vegetariano. Sim, porque na Índia é muito fácil ser-se vegetariano, pois a oferta de carne é muito escassa, principalmente nesta zona.
Dia 164
Depois de acordarmos e de tomarmos o pequeno almoço, fomos em direção ao hospital. Apanhámos um tuk tuk, pois ainda estávamos um pouco longe. Estavam muitas pessoas na rua, animais (vacas, cabras…), carros, motas, vendedores, uma grande confusão. No hospital o que demorou mais tempo foi mesmo perceber onde tínhamos de ir, porque a administração da vacina demorou muito pouco. Depois partimos à descoberta das ghats, escadarias que terminam no rio, neste caso, o sagrado rio Ganges. Existem cerca de 88 em Varanasi, que servem para os indianos se banharem (purificarem a alma) e também para várias cerimónias. Sendo que duas delas servem para a cremação de pessoas. Varanasi tem como significado Porta do céu, o local onde dá acesso à vida eterna, ou seja, muitas pessoas da religião hindu, escolhe esta cidade para terminar os seus dias. Neste dia estava imenso calor e como estávamos perto da hora de almoço, estava ainda pior. Depois de passarmos por algumas ghats, decidimos então almoçar, pois já estava na hora. A ghat que mais nos impressionou nesse dia, por razões óbvias, foi a segunda ghat onde as pessoas são cremadas (a mais pequena). Mas o que talvez seja ainda mais impressionante é ver outras pessoas a tomarem banho, a lavarem os dentes, a lavarem a roupa e a beberem água do rio, onde as cinzas dos mortos são depositadas, onde se podem encontrar corpos ainda inteiros, animais…, é razão para se dizer, estamos na Índia. Chegámos perto do nosso hotel e decidimos ir descansar um pouco antes de irmos ver uma cerimónia em homenagem ao rio Ganges, por volta das 18h00. Para jantar, fomos comer alguma coisa perto do nosso alojamento e depois fomos descansar.
Dia 165
Neste dia, nós decidimos caminhar ao longo do rio e percorrer algumas ghats mais a norte, onde passámos pela ghat Manikarnika, a ghat onde mais pessoas são cremadas na Índia. Quando lá chegamos, vemos toda a agitação e preparação para cremar as pessoas. Desde as pessoas que vendem as madeiras até àquelas que vendem incensos, ou mesmo os familiares do morto (homens) a raparem o cabelo, sendo que este ato também faz parte da cerimónia de cremação. Depois seguimos caminho pelo meio das ruas estreitas da “Medina”, à descoberta. Ainda perto do rio, vimos um templo que está tão inclinado, que faz lembrar a torre de Pisa. Passámos pelo Templo dourado, mas não podemos entrar porque não tínhamos os passaportes. Como já estávamos perto, decidimos voltar para o hotel para descansar, porque ainda não estávamos a 100% e também porque Varanasi é uma cidade que consome muita energia. Depois do merecido descanso, fomos já ao final do dia andar pelas gaths em direção a sul, para ir ver um concerto que nos tinham aconselhado na ghat Assi.
Curiosidades sobre a ghat Manikarnika (foi uma pessoa local que trabalha nesta ghat que nos forneceu estas informações):
– As cremações são feitas durante 24 horas, 7 dias por semana;
– São cremadas cerca de 300 a 400 pessoas por dia;
– São utilizados cerca de 80 kg de madeira para cada cremação;
– Antes da cremação as pessoas são preparadas (melhores roupas, os homens barbeados…);
– Cada pessoa demora cerca de 2 a 3 horas a ficar completamente em cinzas;
– A parte do corpo que custa mais a cremar nos homens é o tórax e nas mulheres é a anca;
– Quando a cremação acaba, as cinzas são lançadas para o rio e o que resta e que ainda está a queimar é apagado com água do rio;
– A família mais próxima vai banhar-se no rio depois da cremação;
– Mulheres grávidas, crianças, leprosos e pessoas que não têm dinheiro suficiente para serem cremadas, são lançadas para o rio;
– É estritamente proibido tirar fotos ou fazer vídeos.
Dia 166
Dia de fazermos check-out e partirmos para outro destino, Khajuraho. O nosso comboio ia partir por volta das 17h45, por isso tínhamos muito tempo, mas o nosso corpo não nos dava margem para muito. Felizmente, deixaram-nos ficar no alojamento a descansar até à hora de irmos apanhar o comboio. Esta viagem ia ser bem longa, pois o comboio estava previsto chegar a Khajuraho no outro dia às 05h45.












