Cusco

Dia 600

Chegámos a Cusco bem cedo, antes das 8h00. Apanhámos um táxi desde o terminal rodoviário até ao hostel “La Bo’m”. Este dia era bem especial, pois os primos da Carina, a Sara e o Miguel chegariam ao Peru e iriamo-nos encontrar em Cusco ?. Como eles só chegavam por volta das 12h00, aproveitámos a manhã para irmos até ao centro e informarmo-nos sobre os passeios que iriamos fazer nos próximos dias. Por volta das 11h00, voltámos para o hostel e esperámos que eles viessem. Ficámos muito contentes por vê-los, já não os víamos há quase 2 anos. Depois de fazermos o check-in e como estávamos todos com fome, fomos almoçar. Depois, decidimos comer um crepe para sobremesa no restaurante “La Bohéme”. Da parte da tarde, fomos fazer um “free walking tour” pela cidade. Sinceramente, este não foi o melhor que já fizemos. Quando ainda estávamos na “Plaza de Armas”, aprendemos que as igrejas de Cusco foram construídas sobre templos Incas, de forma a que os Incas acreditassem que também eram monumentos sagrados. De seguida, caminhámos pela rua onde podemos ver a “pedra dos 12 ângulos”. Percebemos como as pedras de grandes dimensões eram cortadas perfeitamente, usando o ácido de plantas e como eram transportadas. A pedra mais pesada tem cerca de 13 toneladas. Mais à frente, mas ainda no seguimento do mesmo muro, conseguem-se ver os animais da trilogia andina, o condor, a puma e a serpente. Daí, seguimos até um bar para provarmos “pisco sour” e termos uma vista panorâmica sobre a cidade. Antes de jantar, fomos reservar o tour para o dia seguinte, onde iriamos visitar várias ruínas incas pertencentes ao Vale sagrado. Reservámos este passeio com a empresa “Okidoki”, que nos custou 60 soles (guia, transporte e almoço). Tivemos que comprar separado o bilhete para visitar as ruínas, válido por 2 dias e que custa 70 soles. Também existe outro bilhete que inclui muitos mais museus e outras ruínas e que é válido para 10 dias, mas que custa 130 soles.

Dia 601

Tivemos de acordar bem cedo e nem conseguimos tomar o pequeno almoço no hostel. Por volta das 07h15, já estávamos a partir em direção à nossa primeira paragem, o sítio arqueológico “Chinchero”. Ao chegar às ruínas, reparámos que no cimo das casas estavam umas miniaturas de dois touros, uma cruz e um galo. Estas miniaturas são colocadas aquando a inauguração da casa e dão boa sorte. O galo representa o amanhecer, pois é o primeiro animal que se ouve de manhã. Antes dos espanhóis chegarem a esta região, ao invés de colocarem touros, colocavam lamas. Na praça, faziam-se sacrifícios dos melhores lamas negros ou crianças. O principal Deus deles era o Sol. Nesta zona, também se pode ver os terraços de cultivo (em escada) construídos pelos Incas. Também visitámos a Igreja colonial de “Chinchero”. De seguida, fomos ver como são feitas as colorações naturais utilizadas para tingir o pelo extraído dos lamas para depois fazerem os têxteis. A seguir, fomos ver os campos de cultivo utilizados pelos Incas, no sítio arqueológico de “Moray”. Estas construções circulares serviam para simular diversos tipos de climas, mais húmido, mais seco, … Todas elas tinham uma espécie de canais de água. A grande maioria dos vegetais cultivados eram milho, batata, quinoa e aba (tubérculo). Com a visita concluída, seguimos para as famosas salinas de “Mara”. Este local não está incluído no bilhete das ruínas, tem que se pagar mais 10 soles para entrar. É daqui que é extraído sal de muito boa qualidade. Existem mais de 4500 poços com cerca de 60/70 cm cada um. Os poços possuem várias camadas: a primeira tem uma capa branca, depois uma rosa e por fim a que se encontra em contacto com a terra, que é utilizada para os animais e fins medicinais. São extraídos cerca de 180 a 200 kg de sal, de cada poço. A extração é feita 1 vez por mês, mas só durante 6 meses, ou seja, na época seca.
Daqui, fomos para o restaurante onde tínhamos à nossa espera um delicioso buffet. Com a barriga bem cheia ?, fomos visitar o sítio arqueológico “Ollantaytambo”. A primeira coisa com que nos deparámos, foi com uma escadaria bem íngreme. Quando chegámos ao topo, podemos perceber o quão difícil tinha sido a construção deste sítio. As pedras utilizadas eram pesadíssimas e enormes, para não falar da inclinação. Para trazerem as pedras, tiveram de utilizar todos os conhecimentos de engenharia da altura. Quando chegámos ao cimo, podemos ver o Templo do Sol. Este templo é constituído por 4 pedras gigantes, onde os Incas tinham esculpido figuras sagradas, como um puma e a cruz andina. Ao longe em outra montanha, podemos ver uma espécie de casas, que eram utilizadas para armazenar alimentos. Os alimentos eram guardados nesses locais, pois eram muito bem arejados e frescos.
Quando terminámos a visita, fomos até ao sítio arqueológico “Pisac”. O nome desta região, deve-se a ao nome de uma ave que existia em grande quantidade. Se formos um pouco imaginativos, podemos ver o desenho da ave nos terraços de cultivo construídos. A guia também nos explicou que os falecidos eram colocados em buracos feitos na montanha, existindo cerca de 3000 túmulos. Quando acabámos esta última visita, foi tempo de voltarmos para Cusco, mas antes ainda parámos numa loja onde fazem joias em prata. Para jantar, fomos a uma hamburgueria que tem carne de alpaca, “Chakruna native burgers”. Depois de mais alguma conversa, fomos descansar, pois no dia seguinte iriamos para “Águas Calientes”.

Dia 602

Acordámos mais uma vez bem cedo, mas desta vez conseguimos tomar o pequeno almoço. O minibus que nos ia levar até à hidroelétrica partia por volta das 08h00. O bilhete de minibus de ida e volta custou 60 soles. Depois de uma longa viagem, chegámos por volta das 14h30. Deste ponto, ainda tínhamos de caminhar cerca de 10,5 km até “Águas Calientes” ou “Machupicchu pueblo”. Outra opção era apanhar um comboio que custa 33 dólares ?. Como é óbvio, optámos por ir a pé, como já tínhamos pensado antes. O passeio em si é muito bonito e não custa nada fazer, pois é praticamente plano e junto à linha de comboio. Conseguimos ver as montanhas ao redor e imensos pássaros a cantar. Até conseguimos ver um grande grupo de papagaios verdes a voar. Chegámos a “Águas Calientes” já passava das 17h00. Depois de nos instalarmos no hotel, fomos comprar os bilhetes de autocarro para nos levar desde “Águas Calientes” até à entrada do sítio arqueológico Machupicchu, que nos custou cerca de 12 dólares. Mais tarde, também se juntaram a nós os nossos amigos Rafael e Elisa, que por coincidência também se encontravam em Cusco na mesma altura que nós. Depois do jantar, fomos descansar, pois no dia seguinte iriamos visitar uma das sete maravilhas do Mundo, Machupicchu.

Nota: para fazer o percurso de Cusco até “Aguas Calientes” ou Machupicchu pueblo” existem três opções:
– Minibus até hidroeléctrica + caminhada de 10,5 km;
– Autocarro até Ollantaytambo + comboio;
– Fazer uma caminhada de vários dias: Inca trail ou Salkantay trail.

Dia 603

Por volta das 07h00, já estávamos na fila para apanhar o autocarro. O que ao início parecia uma fila gigante, no final só tivemos de esperar 30 minutos. Caso não tivéssemos ido de autocarro, também daria para ir a pé, mas seria 1h30 de caminhada sempre a subir. Quando chegámos ao Machupicchu, fomos aproveitar para tirar umas fotos do sítio arqueológico e pouco tempo depois começámos a subir a montanha Machupicchu. Deixámos a visita para depois, porque para subir à montanha tínhamos uma hora específica, das 09h00 às 10h00. Para chegar até ao topo, tivemos de subir 2670 degraus e demorámos cerca de 1h30. Quando já estávamos quase a chegar ao cimo, encontrámos o William e a Manon, um casal francês que tínhamos conhecido na Bolívia ?. Depois de falarmos um pouco, tivemos de continuar caminho para não perder o ritmo e para tentar ver a vista, pois o tempo estava bastante encoberto. Quando chegámos ao cimo, encontrámos o Rafael e a Elisa, que tinham começado a caminhada mais cedo. Depois de tentarmos tirar algumas fotos, foi tempo de descer, pois estava a começar a chover e não parecia que o nevoeiro fosse desaparecer. Quando chegámos à parte de baixo, fomos visitar a ponte Inca que fica um pouco mais afastada. Quando voltámos, fomos finalmente caminhar pelo meio das ruínas. Foi impressionante ver como foi construída uma cidade num local tão alto e inacessível. Existem 186 edifícios, dos quais 116 são casas e nelas viviam entre 500 a 700 pessoas. Além disso, podemos ver também os 76 terraços utilizados para cultivo.
Quando houve a invasão espanhola em 1532, os Incas abandonaram a cidade e fugiram para a floresta. Entre 1536 e 1911 (375anos) este local esteve ao abandono, sendo preservado somente pela natureza.
Acabámos a visita, já passava das 15h00. Desta vez, optámos por fazer a caminhada até “Águas Calientes”, que para sermos sinceros até nem custou assim tanto. Depois de descansarmos algum tempo e de bebermos uma bela cerveja “cusqueña”, fomos comer pizza ?.

Dia 604

Felizmente, não tínhamos de acordar muito cedo. Depois de tomarmos o pequeno almoço, arrumámos tudo e iniciámos a caminhada até à hidroeléctrica. Tínhamos de lá chegar até às 15h00 para apanhar o minibus de volta a Cusco. O caminho para lá, foi o mesmo que tínhamos feito 2 dias antes, mas em sentido contrário. Como tínhamos chegado com tempo, aproveitámos para ir almoçar num restaurante perto da linha de comboio. O caminho de minibus de volta a Cusco foi bem longo, só chegámos por volta das 21h00. Fomos logo diretos ao “hostel La Bo’m”, onde já tínhamos estado antes. Decidimos jantar um delicioso crepe salgado no restaurante que se encontra por cima do hostel, “La Bohéme”. Depois de jantar, aproveitámos para relaxar e conversar um bocado, enquanto bebíamos um chá. A má notícia é que tínhamos de acordar por volta das 4h30, a boa é que íamos visitar a montanha arco-íris ou montanha das 7 cores, “Winikunka”?. Iriamos fazer este passeio juntamente com o Rafael e a Elisa. Escolhemos a empresa “Machu Picchu Reservations”, pois foi a única que nos garantiu que poderíamos ver o vale vermelho. Pagámos por este tour 70 soles (guia, transporte, pequeno-almoço e almoço), por pessoa. Tivemos de pagar a entrada na montanha arco-íris e no vale vermelho, 10 soles por pessoa para cada atração.

Dia 605

Temos de confessar que custou bastante acordar tão cedo, mas lá nos arrastámos da cama e seguimos para o ponto de encontro. Depois de esperarmos por todas as pessoas (organização peruana), seguimos em direção à montanha arco-íris, “Winikunka”. Depois de quase 1h de viagem, parámos para tomar o pequeno almoço. Daí, seguimos para o tão aguardado momento, ver a montanha arco-íris. É claro que para isso, não foi assim tão fácil, pois tivemos de caminhar cerca de 3,5 km, a uma altitude de 5080 metros. Depois de 1h45 a caminhar, conseguimos chegar ao cimo da montanha “Winikunka”. Daqui, podemos ter uma visão grandiosa de 360 º, onde vimos todas as montanhas ao nosso redor, algumas com diferentes cores, outras bem vermelhas e outras cobertas com neve. Uma paisagem surreal, difícil de descrever e acreditar. Apesar de estar um pouco de frio, devido ao vento, ficámos o máximo de tempo que podemos a desfrutar desta vista. Temos de confessar que tivemos muita sorte, pois estava um dia de sol, sem qualquer nuvem, ou seja, as cores estavam no seu auge. Como ainda tínhamos de ir até ao Vale vermelho, tivemos de ir descendo. O vale vermelho fica muito próximo desta montanha, apenas tivemos que caminhar 20 minutos. Foi sem dúvida a cereja no topo do bolo, as cores vermelhas do vale juntamente com o verde da vegetação, fazem uma combinação perfeita. Podíamos ficar ali bastante tempo a contemplar, mas infelizmente não tínhamos muito mais tempo. De seguida, descemos até ao parque de estacionamento e daí, seguimos para o restaurante onde íamos almoçar. Estávamos muito contentes por ter ido visitar este local, valeu cada sole que pagámos. Depois do almoço, fizemos o caminho de volta a Cusco. Mais tarde, fomos jantar juntamente com o Rafa e a Elisa. Mais uma vez, comemos no restaurante “La Bohéme”. Após o jantar, foi tempo de despedidas, pois o Miguel e a Sara tinham uma viagem noturna de autocarro até Puno. A Elisa e o Rafael também tinham a sua viagem de avião no dia seguinte, em direção a Lima.

Dia 606

Este dia foi basicamente para descansar e atualizar o website. Da parte da manhã tomámos o pequeno almoço e ficámos a atualizar o website. Além disto, tivemos a tentar encontrar a máquina fotográfica e o telemóvel da Sara e do Miguel que infelizmente tinham caído no táxi que tinham apanhado no dia anterior para o terminal de autocarros. Tentámos de tudo, mas não conseguimos nada. Da parte da tarde, já perto das 16h00 fomos dar um passeio pela cidade e acabámos por ir visitar o mercado de San Pedro. Mais tarde para jantar, optámos por comer uma deliciosa salada no hostel onde estávamos alojados.

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